E aí você tenta fazer a comida enquanto sua filha se distrai vendo algum desenho, mas é pouco tempo e Vc não consegue nem fazer a comida direito, nem dar atenção pra sua filha direito e você já não consegue nem mais pensar direito.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Você vai lembrar um dia que naqueles anos, esses, ventava muito. E tinha momentos em que você odiava o vento. E logo depois se arrependia, pedia perdão a Deus, pq afinal o mundo inteiro reclamava do calor insuportável e você reclamando do vento? Não pode. Ao menos você não poderia nunca reclamar do calor. Porque não tinha calor. Tinha vento. Muito vento. Vento de tornar impossível deixar seus cabelos - que naqueles anos, esses, eram longos - soltos. Vento de tornar impossível comer torradinhas do lado de fora da casa, porque voavam. Vento de tornar muito difícil manter um lençol na corda: você resgatava o bendito do chão umas 3 vezes, até ele secar. Vento, muito vento. Vento, aquele que você sempre amou. Vento. Muito vento.
Você vai lembrar um dia que naqueles anos, esses, aqueles anos depois dos 35, depois que você casou, depois que você teve a Letícia. Você vai lembrar um que naqueles anos, esses, você esteve muito perdida. Que não foi fácil. Não.foi.fácil. Foi uma mudança muito grande, muito drástica. E você demorou, demorou muito (até esse momento ainda não conseguiu completamente) até conseguir ter sua pele novamente. Uma outra pele. Porque a pele que você tinha foi arrancada totalmente de você e você ficou desprotegida e irreconhecível por muito, muito tempo. O pior era você não se reconhecer. E foi um processo lento, a outra pele foi crescendo devagar, você em alguns dias andou arrancando aquela pele estranha do seu corpo, então demorou muito até você reconhecer aquela pele como nova, demorou praquela pele crescer, demorou, demorou, demorou. Ainda há lugares sem pele. Mas você se mantém firme. Você tem esperança. Você vai conseguir ser você novamente. Uma outra você, diferente da que você conheceu tão bem algum dia, mas uma você que você reconhecerá e que será só sua, só você, totalmente visível e entendida por você. É isso que importa. Se reconhecer. Saber que aquela ali é você. Sentir você. Não, não foi/é/será fácil.
Você vai lembrar um dia que naqueles anos, esses, muitas e muitas vezes você sentiu como se ninguém conseguisse te entender. E realmente eu acho que ninguém conseguiu. Não, nem seu marido, nem seus melhores amigos, ninguém. Era uma dor, um sofrimento e um crescimento só seus. Talvez alguma pessoa no mundo a entendesse, mas você não a conhecia naqueles anos. Esses. Então você fazia um esforço imenso pra tentar SE entender. SE consolar. SE encontrar. SE situar. Dias difíceis. Ninguém conseguia entender a imensa dificuldade que você teve em absorver a nova fase. A transformação de uma mulher independente, solteira, sozinha, livre, por anos, desde a adolescência, em uma mulher casada, dona de casa, mãe, dependente financeiramente do marido em prol do melhor pra filha. Não. Ningúem conseguiu entender. E você precisava muito que alguém a ouvisse sem julgar, sem achar que você era mal agradecida pelo que tinha, sem achar que você era infeliz. Não. Você não era mal agradecida. Você não era infeliz. Você só estava em uma fase de transição. Você só precisava que alguém te ouvisse e te ajudasse a encontrar o caminho enquanto você trocava a sua pele. Mas você teve que fazer isso sozinha, então acho que demorou um pouco mais por isso. Mas hoje estamos caminhando com grandes progressos para a transformação final e é isso que importa.
Você vai lembrar um dia que naqueles anos, esses, você estava tão sozinha e precisava tanto desabafar, que você criou um blog. Esse. Naqueles anos, pra você. Aqueles anos, já distantes. Esses pra mim. Hoje, pra mim. Agora. Naqueles anos, esses.
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